
Um dia acordará diferente, estranha. Não sabendo a origem, chorará e se sentirá sozinha. Procurará por toda a casa e nos seus pensamentos e não encontrará o que perdeu. Não se lembrará mais o quê, o como e o porquê algo que ela não sabe o que é, se foi. E por dentro saberá que é pra sempre.
Abrirá as gavetas, os armários, as agendas e a memória, mas não achará nada. O desespero toma conta e tudo o que deseja fazer é dormir e levantar no outro dia, como era antes; sabendo de si e de sua vida. Então ela retorna a sua cama e se conscientizará que na verdade, ela não sabia nada de si e que sua vida era uma peça que ela encenava todos os dias, de modo excepcional, pois nem ela mesma sabia que era uma farsa. Chorará novamente, com pena de si, tomara um banho, se trocará e sairá pela porta, pela vida, procurando a única coisa que faltava: felicidade.
Ilustração: Mariana Mauro